sexta-feira, 14 de maio de 2010

Dois rios.

(Samuel Rosa, Lô Borges e Nando Reis.)

O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão

O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos

Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer

Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

O sol é o pé e a mão
O sol é a mãe e o pai
Dissolve a escuridão

O sol se põe se vai
E após se pôr
O sol renasce no Japão

Eu vi também
Só pra poder entender
Na voz a vida ouvi dizer

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção

E o meu lugar é esse
Ao lado seu, meu corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios Sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão

O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos

Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção

E o meu lugar é esse
Ao lado seu, no corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações

Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Dreams of Californication

Cuiabá, May 12nd, 2010 – Wednesday – Cold Day.
Dear love,
If you are reading this, that’s because I finally got courage to show you. Good for me.
We live together about two years, and there is some things about me, that you still don’t know, not things that I did, but my things and stuffs.
I met someone, it was accidental, I wasn’t looking for, I wasn’t hunting.
That was an incredible storm, she said somethings, I said too, and after that, I knew that I could spend the rest of my life on that talking.
And now, I have this feeling on my chest… maybe, she is the one. She’s totally crazy, and it makes me smile, neurotic and instable. But we can’t chose what is right or wrong, we chose what our hearts want to.
She is you, sweet.
That’s the great news, the bad one is that I don’t know how to be with you right now, and it is fucking freaking me out, because if I don’t be with you right now, I feel that we will lose ourselves on the way.
That’s a big scary world, crowded of turnarounds and we have managed to find a way to blink and miss that moment, the moment that could changed everything.
I don’t know what is happen to us, and I don’t know how to convince you to make a huge jump to live with and for me.
Well, that’s all.
Undoubtedly yours,

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Se não houver amanhã...

Se nao houver amanhã, quero que você saiba que o seu sorriso ilumina meus dias e me faz sorrir, que o seu olhar me hipnotiza e me deixa alucinado. Quero que saiba que suas mãos nas minhas fazem meu coração disparar, que a cada simples contato da sua pele na minha me envia arrepios de puro prazer, que o seu riso é como música para os meus ouvidos, que quando seus braços me envolvem e me abraçam desejo que eles fiquem ali para sempre. só quero que você saiba que eu te amo , antes que seja tarde demais.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

"Ensaio, Olhares. Musica"

Fecho os olhos pra não ver passar o tempo, sinto falta de você
Anjo bom, amor perfeito no meu peito, sem você não sei viver
Vem, que eu conto os dias conto as horas pra te ver
Eu não consigo te esquecer
Cada minuto é muito tempo sem você, sem você
Os segundos vão passando lentamente, não tem hora pra chegar
Até quando te querendo, te amando, coração quer te encontrar
Vem, que nos seus braços esse amor é uma canção
E eu não consigo te esquecer
Cada minuto é muito tempo sem você, sem você
Eu não vou saber me acostumar sem sua mão pra me acalmar
Sem seu olhar pra me entender, sem seu carinho, amor, sem você
Vem me tirar da solidão, fazer feliz meu coração
Já não importa quem errou, o que passou, passou então vem
Vem, vem, vem

Com amor...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Redenção.

Cada dia ficava mais difícil não ver o rosto, não ouvir a voz, sentir o gosto, não acariciar. A vontade de procurá-la o consumia, o tomava de tal maneira que ele queria jogar novamente seu orgulho de lado e levar mais tapas. Permaneceu com seu orgulho, permanecer são, mas desta vez, ele quem discou seu numero, ele quem desejou ouvir sua voz. Ainda era de manhã quando ele ligou pela primeira vez, e ninguém atendeu. Foi para o trabalho sem tornar a pensar naquilo. No meio do expediente ele voltou a ligar, e assim como no almoço e durante a tarde, ninguém atendeu. Em vez disso, uma mensagem chegou, e a discussão começou ali. Primeiro carinho, depois as primeiras alfinetadas, e o começo do fim cravava seu ponto de partida. Ele desistiu de tentar explicar o inexplicável, de mudar o imutável, de sorrir com a miséria. Não respondeu mais nenhuma mensagem. Desceu as escadas do escritório, tirou uma carteira de Carlton do bolso da camisa, acendeu e tragou. Quando terminou de fumar voltou ao escritório, pegou suas coisas e rumou para casa. Abriu uma garrafa de vinho sentou-se na varanda e se embriagou.
Quando se deu por vivo, já havia anoitecido, a garrafa de Santa Felicidade estava vazia, jogada no chão e seus olhos, vermelhos. Levantou-se aos tropeços, recolheu os cacos de vidro e alguns do seu coração, tomou um banho e adormeceu novamente em sua cama. Ele havia tomado uma decisão.
No dia seguinte ele ligou para ela, e não demorou muito e ouviu sua voz. Não teve reação, nenhum sentimento soou, nenhuma batida foi descompassada e a respiração manteu-se calma.
- Não me procure mais. Não me deixe saber da sua vida. Não queira saber da minha. Não me procura, e nem me ache.
Desligou o telefone e foi para o trabalho ainda pensando se era a coisa certa a se fazer. Era. É.
As semanas passavam, ele se sentia mais ele, sorria mais, trabalhava mais empolgado, saia mais, com pessoas diferentes, com pessoas iguais, com pessoas conhecidas, desconhecidas. Seu grupo social mudou e ele não sentiu mais falta.
Samuel havia morrido havia um mês e duas semanas. Rafael havia ressuscitado há duas semanas.

terça-feira, 9 de março de 2010

Acidente

Ele teve sorte de não estar sozinho, ele teve sorte de estar de cinto de segurança, e ele teve sorte de ter tanta sorte. Fazia dois dias que Samuel havia se encontrado com a garota da fotografia, e o encontro, mesmo que ele não admita à ninguém e mesmo que ele não deixe demonstrar, o deixou mais feliz e não mais machucado. Demorou a dormir naquele dia, os acontecimentos em sua vida o deixaram acordado no dia em que ele mais quis repousar. Não reclamava, alguns cumprimentos e congratulações sempre eram bem vindas. Começava a anoitecer quando ele saiu de casa, e a chuva se aproximava à mesma velocidade em que ele ia para dentro do carro. Parou no posto e encheu o tanque, foi buscar as pessoas que iam com ele, pessoas que ele amava e se sentia bem, encarou o congestionamento habitual do fim de tarde e logo se pôs a cento e vinte por hora em uma rodovia quase vazia.
Duas horas depois, estacionava nos fundos do hotel e começava a aproveitar cada segundo do seu fim de semana naquela cidade interiorana. Um tour pelo centro, uma visita a antigos conhecidos, festa na casa de uma pessoa querida e o final do dia ia chegando, a estrada voltaria a correr por seus olhos. Deitou no sofá da sala e ali permanecer adormecido por algo em torno de trinta minutos, levantou-se, arrumou os cabelos e jogou um punhado de água no rosto e estava pronto para cair no mundo novamente. Um beijo e um abraço de despedida.
A volta era tranqüila, poucos carros à frente, poucos caminhões. Tudo corria bem. - Parada para comida - Disse ele rindo com seu melhor sorriso, o qual foi seguido por mais duas faces sorridentes. O ponteiro rodou cento e oitenta graus e a noite chegava. Quente, abafada, seca. O céu ficava vermelho, o tempo estava mudando. Estava perto de casa, quarenta quilômetros o separava de sua cama e seu chuveiro.
- Ai galera, todo mundo de cinto ai atrás? Não quero tomar nenhuma multa.
- Bom, se não quer tomar multa, é melhor abaixar esse velocímetro também. - Ele sorriu olhando-a pelo retrovisor, ela passava o cinto de segurança pelo corpo ao mesmo tempo em que o pé descansava fora do pedal do acelerador.
Mais vinte quilômetros passaram quando tudo aconteceu. O carro mantinha uma velocidade de noventa e cinco quilômetros por hora quando um animal silvestre atravessou seu caminho. Os olhos de Samuel crisparam, seus lábios cerraram e a sobrancelha enrugou ao mesmo tempo em que ele virava o volante para a esquerda, direita e esquerda novamente, mas antes de olhar as faixas amarelas da estrada, ele viu as estrelas, viu o chão, as copas das arvores e não viu mais nada. Fechou os olhos com medo e só os abriu novamente quando o silencio tomou conta do espaço. Olhou para o lado e um deles estava paralisado, em choque. A mulher no banco de trás sangrava e gritava desesperada. Ele não poderia fraquejar ali. Não agora. Saiu com dificuldade do carro destruído e fora em busca de ajuda. Quis ligar para as mesmas três pessoas de antes, mas não poderia falar com nenhuma, novamente.
Quando amanheceu, as dores tomavam conta de seu corpo. Eu o olhava com um sorriso afoito no rosto.
- O médico já lhe receitou o remédio, e liberou a todos. Agradeça por estar vivo. Você renasceu ontem. - Ele me olhou com dificuldade e foi se arrumar.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Telefonemas

Acordou cedo e com os cabelos despenteados, como se ele ligasse. Havia algumas semanas que ele havia se mudado para aquela casa e o cheiro desconhecido dos cômodos, somado aos sorrisos acolhedores da vizinhança o faziam esquecer tudo aquilo que estava passando. Desde o dia em que ele fora à minha casa o sorriso tinha voltado a seu rosto, mas os pesadelos ainda o perseguiam.
Sonolento, foi ao banheiro e despiu-se antes de deixar a água gelada arrepiar os pêlos de seu corpo todo. Quinze minutos depois se acomodava à mesa e preparava o café da manhã apressadamente, afinal o mundo não pararia para vê-lo se recuperar. Escovou os dentes e entrou no carro sem parar para pensar. Girou a chave, o volante, pôs marcha e cruzou a cidade.
Não tive noticias de Samuel por cerca de três dias, até que ele me surpreendeu em uma noite chuvosa. O recebi com um abraço e fomos a sala de estar colocar a conversa em dia.
- Ela tem me ligado todos os dias, pai. - Disse ele me encarando com os olhos crispados. - Há momentos em que eu não quero atender, mas meu masoquismo besta me faz ouvi-la e isso ainda me fere. - Me feria também, eu não demonstrava e ele tampouco percebia, mas vê-lo daquele jeito era tortura para mim.
- E quando ela liga o que ela deseja? - Ele sorriu balançando a cabeça.
- Pergunta como estou, tenta contar alguma novidade, então eu invento alguma coisa e desligo. Acho que estou conseguindo esquecê-la e por incrível que pareça, ela tem facilitado as coisas. - Confesso que não entendi no primeiro momento, afinal se ela o procurava e ele a atendia, como isso o fazia bem? - Não me sinto mais à vontade ao falar com ela.
- E eu devo pensar que isso é algo bom, certo?
- Exato, embora sonhar com ela todas as noites seja algo que ainda me preocupa.
- E os sonhos são ruins?
- Os piores.