Ele era italiano, ela era italiana, eles estavam em Roma, a cidade que mais se fala em pederastia, desde seu principio. Ela estava totalmente nua e mordendo o lábio inferior na frente dele em um quarto de hotel onde somente eles estavam presentes. A cabeça de Luís parecia ter saído de órbita, ele não conseguia parar de olhar para ela e a cara de bobo era extremamente fácil de se identificar.
- Vai ficar só olhando? - A garota sabia provocar, atiçar a vontade e o desejo de qualquer homem, e ela sabia disso.
Por mais incrível que se possa parecer, ele de fato ficou só olhando. Seu corpo havia travado ali, não conseguia nem falar e muito menos se mexer, ficava apenas observando cada milimetro do corpo escultural de Giuliana. A respiração era ofegante, o coração acelerado no peito, o olhar estava fixo e a garota estava rindo em alto e bom som da situação.
Ela se levantou e colocou a roupa novamente, ainda com o olhar fixo nele, provocando-o ainda mais.
- Vamos Carmioni, eu ainda estou com fome. - disse ela enquanto saia pela porta do quarto, deixando-o para traz com a mesma cara de bobo.
O restaurante ficava a menos de duas quadras dali e o jovem italiano ainda não havia dito uma palavra desde que vira a garota nua em “sua” cama. Assim como todo estabelecimento em torno do hotel, a pizzaria não possuia nenhum requinte e elegancia como aquelas que se vê no centro da cidade.
- Sabe, quando eu te conheci voce não era tão frouxo assim. Estou surpresa. - A provocação deixou Luís com o rosto ruborizado e ele continuou em silencio. - Ah, qual é Luigi. Me responde, foram as mulheres frias da Inglaterra que te deixaram assim?
Ele a encarou pela primeira vez depois de quase meia hora. No mesmo instante, as bochechas ficaram coradas novamente o que fez a italiana soltar uma gargalhada maldosa.
- Não é isso, ragazza, não fale como se eu não quisesse lhe ter, como se eu não quisesse transar com voce até amanhecer e depois ficar na cama o dia todo...
- Luigi... para de se contradizer, é ridiculo isso e convenhamos, voce não era assim.
- Per favore, Giuliana. Não complique ainda mais as coisas para mim?
- Eu complicar, Luigi? Quem foi que fugiu para a Inglaterra por que não conseguia me olhar nos olhos? Quem foi que sempre pensou que as coisas iam dar errado? Você quem complica as coisas, não tem mais aquela coragem e vitalidade que tinha quando eu te chamava de “meu”.
Ele novamente ficou sem reação, a fala travou e tudo o que pôde fazer foi cruzar as mãos e apoiar a cabeça nelas.
- Scusa me, já sabem o que vão pedir? - O garçom apareceu de súbito, interrompendo a discussão, para a sorte de Luís.
- Si, una pizza margherita con mozzarella extra, per favore e para beber, duas taças de vinho tinto.
- Va benne, algo mais?
- Não, grazie. - Ela olhou para Luís novamente e sorriu da mesma maneira que havia sorrido quando estava na cama. - Voce vai ter que arrumar um terno amanhã se quiser ir comigo a festa da empresa.
- Va benne, podemos ver isso amanhã.
- Não podemos não, vou ter que passar o dia na empresa. Sabe como é né, mostrar serviço.
- Ah, sim... eu vou sozinho então.
- É isso ai.
Ele parecia aqueles cachorrinhos de madame que mal cabem na palma da mão, acuados e pequenos. Um misto de vergonha e irritação o dominavam e assim foi pelo resto da noite.
Ao chegar no quarto do hotel a garota mal olhou na cara dele, apenas retirou três cobertores e um travisseiro do armario e jogou no chão.
- Voce dorme ai, amanhã nos falamos.
- Eu pensei que voce estava brincando. - disse ele com uma voz que quase sumia. Ela o olhou com um sorriso nos labios que o deixou ainda mais acuado.
- Então quer dizer que agora voce quer dividir a cama comigo?
- O chão está ótimo.
Giuliana teve que se segurar para não rir do que acontecia ali. Em vez disso ela apenas sorriu e deitou na cama.
- Buona notte, Giuliana
- Bouna notte...
Na manha do dia seguinte quando ele acordou, ela já nao estava mais no quarto. Em cima do criado mudo havia apenas um recado escrito em letras pequenas.
Alguem aqui tem que acordar cedo, devo voltar às seis da tarde. Não esqueça o smoking... beijos molhados numa boca provavelmente seca. Giuliana.
CONTINUA
R.P.A
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Roma
A noite vinha chegando de pressa na costa leste da Itália. O silencio ainda não tinha se feito presente no carro vermelho escuro de Giuliana. Entre as conversas, a garota finalmente havia revelado o motivo da ida à Roma, uma empresa a qual prestava serviços contábeis recém trocara de diretoria e queriam que estivesse presente na posse dos novos mandatários.
- Contadora... - balbuciou Luís com um sorriso maroto entre os lábios – Como você consegue lidar com toda essa política econômica?
Ela sorriu para ele enquanto ultrapassava um carro a cento e trinta quilômetros por hora e explicou como era difícil lidar com todas as dificuldades, as burocracias e é claro... com a máfia.
- Relaxa Carmioni, não tem ninguém atrás de mim.
- Você é uma artista isso sim, lidar com essa gente não é um trabalho fácil.
- Luigi, já te disse, esse pessoal com quem trabalho são tranquilos. E eu já sou bem grandinha, sei me cuidar.
Os dois sorriram e olharam para frente. Estavam agora a poucos quilômetros da capital italiana. A noite já se fazia presente e o vento frio começou a tocar os rostos dos jovens.
- Estamos perto. Consegue ver aquela área mais iluminada na frente?
- Giuliana, não é por que agora eu moro na Inglaterra que eu esqueci de como é a Itália. - Disse ele rindo ainda mais quando a ruiva fez uma cara feia.
- Va benne, va benne. Devemos procurar um hotel ou algo do tipo e depois sair para jantar.
- É justo, a ultima coisa que comi foi a macarronada de mamá.
- E como está ela? E Pépe? Sinto tanta falta de su padre
- Estão bem, brigando e discutindo como sempre, mas muito bem.
A conversa se estendeu até a chegada ao hotel em que passariam a noite, não era muito requintado, e ficava longe do centro da cidade, mas como era só um final de semana, tudo ficaria bem.
- Quero un quarto per due persone. Doppia – disse ela ao recepcionista do hotel.
- Giuliana, acho melhor não.
- Luigi, são apenas duas noites e se você quiser... - e ela fez brotar em seus lábios um sorriso sapeca. - você pode dormir no chão.
Ele a encarou por um tempo, sorriu de volta e pegou as malas para levar para o quarto que ficava no segundo andar.
- Va benne, eu vou tomar uma ducha rápida e depois podemos sair para jantar, sim?
- Sem problemas, contanto que eu possa me banhar também.
- É vero, você está precisando – Brincou ela enquanto pegava uma muda de roupas e se dirigia para o banho.
Luís ficou olhando para a porta em que ela entrara por um bom tempo. Começava a duvidar se de fato teria sido uma boa ideia aceitar vir com ela para Roma, se ele iria conseguir manter a promessa que havia feito a si... e tais pensamentos o levaram de volta à Inglaterra. De onde havia saído correndo antes de enlouquecer em magoas e desafeto.
- LUIGI, pode pegar minha toalha por favor? Esqueci em cima da cama. - Os pensamentos sumiram como chegaram e a voz da garota o despertou do devaneio. Pegou a toalha em cima da cama e levou para ela. O banheiro era pequeno e o vapor o deixava ainda menor. - Obrigado, agora pode sair.
Giuliana sorria para ele, agora enrolada na toalha branca do hotel.
- Como se eu nunca tivesse visto o que você tem ai. - Brincou ele fechando a porta do banheiro.
- Uaaaau, parece que alguem está começando a se soltar como antigamente. - Disse ela com um olhar maléfico. - Sua vez.
Luís sorriu de volta, pegou suas roupas e a toalha e entrou no banheiro. Ligou o chuveiro e deixou a água cair pelo seu corpo nu por cerca de quinze minutos. Desligou a torneira, enxugou-se e pôs as roupas. Passou a mão direita sobre o cabelo e abriu a porta, voltando ao quarto.
- Giuliana... o que diabos significa isso?
- Ora, não disse que não há nada aqui que você já não tenha visto? Achei que não havia motivos para esconder nada então. - A italiana estava deitada na cama com as pernas cruzadas e o olhar direto no rosto absorto de Luís. Seus seios à mostra assim como o resto de seu corpo, extremamente convidativos deixaram o italiano sem reação. Ela, gostando do que havia provocado, sorriu e mordeu o lábio.
CONTINUA
- Contadora... - balbuciou Luís com um sorriso maroto entre os lábios – Como você consegue lidar com toda essa política econômica?
Ela sorriu para ele enquanto ultrapassava um carro a cento e trinta quilômetros por hora e explicou como era difícil lidar com todas as dificuldades, as burocracias e é claro... com a máfia.
- Relaxa Carmioni, não tem ninguém atrás de mim.
- Você é uma artista isso sim, lidar com essa gente não é um trabalho fácil.
- Luigi, já te disse, esse pessoal com quem trabalho são tranquilos. E eu já sou bem grandinha, sei me cuidar.
Os dois sorriram e olharam para frente. Estavam agora a poucos quilômetros da capital italiana. A noite já se fazia presente e o vento frio começou a tocar os rostos dos jovens.
- Estamos perto. Consegue ver aquela área mais iluminada na frente?
- Giuliana, não é por que agora eu moro na Inglaterra que eu esqueci de como é a Itália. - Disse ele rindo ainda mais quando a ruiva fez uma cara feia.
- Va benne, va benne. Devemos procurar um hotel ou algo do tipo e depois sair para jantar.
- É justo, a ultima coisa que comi foi a macarronada de mamá.
- E como está ela? E Pépe? Sinto tanta falta de su padre
- Estão bem, brigando e discutindo como sempre, mas muito bem.
A conversa se estendeu até a chegada ao hotel em que passariam a noite, não era muito requintado, e ficava longe do centro da cidade, mas como era só um final de semana, tudo ficaria bem.
- Quero un quarto per due persone. Doppia – disse ela ao recepcionista do hotel.
- Giuliana, acho melhor não.
- Luigi, são apenas duas noites e se você quiser... - e ela fez brotar em seus lábios um sorriso sapeca. - você pode dormir no chão.
Ele a encarou por um tempo, sorriu de volta e pegou as malas para levar para o quarto que ficava no segundo andar.
- Va benne, eu vou tomar uma ducha rápida e depois podemos sair para jantar, sim?
- Sem problemas, contanto que eu possa me banhar também.
- É vero, você está precisando – Brincou ela enquanto pegava uma muda de roupas e se dirigia para o banho.
Luís ficou olhando para a porta em que ela entrara por um bom tempo. Começava a duvidar se de fato teria sido uma boa ideia aceitar vir com ela para Roma, se ele iria conseguir manter a promessa que havia feito a si... e tais pensamentos o levaram de volta à Inglaterra. De onde havia saído correndo antes de enlouquecer em magoas e desafeto.
- LUIGI, pode pegar minha toalha por favor? Esqueci em cima da cama. - Os pensamentos sumiram como chegaram e a voz da garota o despertou do devaneio. Pegou a toalha em cima da cama e levou para ela. O banheiro era pequeno e o vapor o deixava ainda menor. - Obrigado, agora pode sair.
Giuliana sorria para ele, agora enrolada na toalha branca do hotel.
- Como se eu nunca tivesse visto o que você tem ai. - Brincou ele fechando a porta do banheiro.
- Uaaaau, parece que alguem está começando a se soltar como antigamente. - Disse ela com um olhar maléfico. - Sua vez.
Luís sorriu de volta, pegou suas roupas e a toalha e entrou no banheiro. Ligou o chuveiro e deixou a água cair pelo seu corpo nu por cerca de quinze minutos. Desligou a torneira, enxugou-se e pôs as roupas. Passou a mão direita sobre o cabelo e abriu a porta, voltando ao quarto.
- Giuliana... o que diabos significa isso?
- Ora, não disse que não há nada aqui que você já não tenha visto? Achei que não havia motivos para esconder nada então. - A italiana estava deitada na cama com as pernas cruzadas e o olhar direto no rosto absorto de Luís. Seus seios à mostra assim como o resto de seu corpo, extremamente convidativos deixaram o italiano sem reação. Ela, gostando do que havia provocado, sorriu e mordeu o lábio.
CONTINUA
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Buongiorno
O caminho até a casa de Giuliana fora silencioso com algumas trocas de olhares tímidos e presunçosos. Parecia que os dois haviam saído da cafeteria e ido até lá, pensando na mesma coisa. Em tudo o que havia acontecido com eles há 3 anos e enquanto a italiana apresentava um semblante saudosamente triste, Luís se auto-punia em silencio.
- Quando volta à Londres?
- Ainda não comprei minha passagem de volta mas acredito que seja na quinta-feira.
- Esta quinta? - disse ela sem encará-lo e arqueando a sobrancelha.
- Não, da próxima semana.
- Claro...
Estavam agora parados na soleira da casa da garota, os olhos tristes e inquietos ainda estavam no semblante dos dois. Giuliana segurou as próprias mãos e olhou para Luís arqueando novamente a sobrancelha. Fitou-o por um momento e sorriu.
- Venha comigo para Roma no final de semana, tenho algumas coisas para fazer por lá...
- Giuliana, não sei se...
- Sabe sim... venha comigo, como dois velhos amigos.
- Não sei se seria prudente.
- Eu não disse que seria, mas eu acho que ainda podemos ser amigos, não?
- Quando você vai?
- Amanhã ao entardecer. Voltamos no domingo pela manhã.
- Acho... acho que vou pensar com carinho na sua proposta.
- Faça isso. - disse ela jogando nos lábios o seu melhor sorriso. Ela então o abraçou apertado e lhe deu um beijo estalado na bochecha e entrou.
Luís ficou ali parado, estático por mais alguns minutos controlando seu corpo e mente para não bater na porta e entrar casa a dentro beijando-a e tendo-a em seus braços. Foi frio o suficiente para apenas sorrir e ir caminhando para casa.
Naquela noite ele demorou a pegar no sono, todas as lembranças do passado o rondavam, tudo passava como um filme por seus olhos e mente. Velhas fotografias do tempo em que morava na Itália e tudo o que havia passado com Giuliana por dois anos.
Amanheceu cedo para Luís, os gritos costumeiros de Isabel com seu pai, Giusepe, ou Pepe como todos da família chamavam, o acordaram as sete da manhã.
- Buongiorno, papà,mama. - disse ele dando um beijo na testa de cada um, antes de sentar-se para tomar o café da manhã.
- Buongiorno. Matteo me disse que você e aquela garota ficaram até escurecer na cafeteria ontem a noite. - Disse Isabel com cara de quem reprovava tal coisa.
- Madonna mia, Isabel. Per ché tanta implicância com a ragazza. - Era claro ali que Isabel nunca fora fã do relacionamento de Luís e Giuliana, o contrario de Pepe que sempre teve a ruiva como se fosse uma filha.
- Non é implicância Pepe, você sabe o que o nosso Luigi passou com aquela mignotta.
- Mama, papà, chega. Nós apenas conversamos como velhos conhecidos e depois a levei para casa. E tem mais, ela me chamou para ir para Roma com ela no final da semana. - Isabel olhou reprovando a ideia e Giusepe apenas suspirou com um sorriso bobo nos lábios.
Depois do almoço Luís separou um muda de roupas e jogou na mochila. Ele havia decidido que iria passar o final de semana com Giuliana e seria apenas isso. No meio da tarde ligou para ela confirmando e as cinco horas eles saíram de Nápoles viajando pela costa leste da Itália.
CONTINUA
- Quando volta à Londres?
- Ainda não comprei minha passagem de volta mas acredito que seja na quinta-feira.
- Esta quinta? - disse ela sem encará-lo e arqueando a sobrancelha.
- Não, da próxima semana.
- Claro...
Estavam agora parados na soleira da casa da garota, os olhos tristes e inquietos ainda estavam no semblante dos dois. Giuliana segurou as próprias mãos e olhou para Luís arqueando novamente a sobrancelha. Fitou-o por um momento e sorriu.
- Venha comigo para Roma no final de semana, tenho algumas coisas para fazer por lá...
- Giuliana, não sei se...
- Sabe sim... venha comigo, como dois velhos amigos.
- Não sei se seria prudente.
- Eu não disse que seria, mas eu acho que ainda podemos ser amigos, não?
- Quando você vai?
- Amanhã ao entardecer. Voltamos no domingo pela manhã.
- Acho... acho que vou pensar com carinho na sua proposta.
- Faça isso. - disse ela jogando nos lábios o seu melhor sorriso. Ela então o abraçou apertado e lhe deu um beijo estalado na bochecha e entrou.
Luís ficou ali parado, estático por mais alguns minutos controlando seu corpo e mente para não bater na porta e entrar casa a dentro beijando-a e tendo-a em seus braços. Foi frio o suficiente para apenas sorrir e ir caminhando para casa.
Naquela noite ele demorou a pegar no sono, todas as lembranças do passado o rondavam, tudo passava como um filme por seus olhos e mente. Velhas fotografias do tempo em que morava na Itália e tudo o que havia passado com Giuliana por dois anos.
Amanheceu cedo para Luís, os gritos costumeiros de Isabel com seu pai, Giusepe, ou Pepe como todos da família chamavam, o acordaram as sete da manhã.
- Buongiorno, papà,mama. - disse ele dando um beijo na testa de cada um, antes de sentar-se para tomar o café da manhã.
- Buongiorno. Matteo me disse que você e aquela garota ficaram até escurecer na cafeteria ontem a noite. - Disse Isabel com cara de quem reprovava tal coisa.
- Madonna mia, Isabel. Per ché tanta implicância com a ragazza. - Era claro ali que Isabel nunca fora fã do relacionamento de Luís e Giuliana, o contrario de Pepe que sempre teve a ruiva como se fosse uma filha.
- Non é implicância Pepe, você sabe o que o nosso Luigi passou com aquela mignotta.
- Mama, papà, chega. Nós apenas conversamos como velhos conhecidos e depois a levei para casa. E tem mais, ela me chamou para ir para Roma com ela no final da semana. - Isabel olhou reprovando a ideia e Giusepe apenas suspirou com um sorriso bobo nos lábios.
Depois do almoço Luís separou um muda de roupas e jogou na mochila. Ele havia decidido que iria passar o final de semana com Giuliana e seria apenas isso. No meio da tarde ligou para ela confirmando e as cinco horas eles saíram de Nápoles viajando pela costa leste da Itália.
CONTINUA
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Vá bene
As pedras de gelo ainda tintilavam no copo de uísque, o cigarro terminava de queimar no cinzeiro sobre a mesinha de canto. Na poltrona ele ainda estava sentado acariciando suavemente o cavanhaque e contemplando a antiga mobília à sua frente. As portas do pub estavam fechadas há algumas horas, quase o mesmo tempo em que Luís fixava o olhar no nada. De súbito ele suspirou, piscou os olhos mais uma vez, tomou o que sobrava no copo e sem olhar para trás subiu as escadas. Na cabeceira da cama uma foto de sua infância. O quarto não era grande e nem um pouco arrumado, assim como o pub do andar de baixo. O calor dentro do lugar o fazia suar enquanto assobiava uma música do Bee Gees e arrumava uma mochila, colocando as roupas de qualquer jeito. Ao fechar o zíper pegou as chaves do armário e tirou de lá seu violão que há muito não tocava. Colocou do lado da mochila e se dirigiu ao banheiro. O banho de agua fria não demorou mais que dez minutos e ele já jogava o sobretudo que havia herdado do avô no corpo. Antes de sair do quarto, abriu a gaveta do criado mudo e retirou mais duas carteiras de cigarro. As guardou no bolso interno do casaco e desceu.
No andar de baixo se dirigiu sem olhar para trás até a porta, apagou as luzes e trancou o local. Chamou um taxi e cruzou o centro de Londres numa quinta-feira de tempo fechado. Quando chegou no aeroporto a chuva começava a cair. O pub não voltaria a ser aberto tao cedo, e ele demoraria dois meses para voltar à cidade.
A Italia, seu país de origem, sempre fora uma especie santuário para Luís. Era onde se sentia em casa, onde estava rodeado dos amigos de infância e onde podia ficar próximo a sua mãe, Isabel. A chegada em Nápoles fora cheia de olhares furtivos dos amigos e parentes ainda no aeroporto. No tempo em que passou ali, aproveitou cada instante que pode sem nem pensar no que havia deixado na fria capital inglesa. Na primeira noite da sua ultima semana ali foi que as coisas começaram a mudar.
Luís e Matteo, um amigo dos tempos de adolescencia, estavam em uma cafeteria no final da tarde de terça feira quando uma mulher bem branca, com sardas sedutoras perfeitamente combinando com os cabelos vermelhos, labios finos e olhos tão azuis quanto o céu em um dia de primavera aparecera com um sorriso encantador e parou na frente da mesa dos dois.
- Luigi Carmioni...
- Giuliana... que surpresa belíssima...
- Cansou do tempo e das mulheres frias da Inglaterra, é?
- Ah ragazza, não perde uma chance se quer.
- Diferente de você non é vero?
- Veríssimo.
Ela estava tão radiante quanto da ultima vez que eles haviam se encontrado. Giuliana se juntou aos rapazes e as historias dos tempos em que Luís viveu ali se misturavam às novidades que Matteo e ela contavam. Quando os sinos avisaram que era seis da tarde a italiana e o ex cidadão de Nápoles ficaram sozinhos e as antigas conversas voltaram em um estalar de dedos.
- Eu senti a sua falta, Luigi.
- Nápoles sempre foi uma boa cidade para se morar.
- Você ouviu o que eu disse? - disse ela com um misto de brincadeira e irritação no sorriso.
- Ouvi, e não vou dizer que não gostei de ouvir. Mesmo não podendo gostar.
- Você continua o mesmo, achando que a culpa de todas as catástrofes do mundo são por tua causa...
- Giuliana, por favor, eu só tenho mais alguns dias aqui, nossa conversa está muito boa, não vamos entrar neste assunto novamente.
- Vá bene, então me leva até em casa que já escureceu e não estou de férias como você.
CONTINUA
No andar de baixo se dirigiu sem olhar para trás até a porta, apagou as luzes e trancou o local. Chamou um taxi e cruzou o centro de Londres numa quinta-feira de tempo fechado. Quando chegou no aeroporto a chuva começava a cair. O pub não voltaria a ser aberto tao cedo, e ele demoraria dois meses para voltar à cidade.
A Italia, seu país de origem, sempre fora uma especie santuário para Luís. Era onde se sentia em casa, onde estava rodeado dos amigos de infância e onde podia ficar próximo a sua mãe, Isabel. A chegada em Nápoles fora cheia de olhares furtivos dos amigos e parentes ainda no aeroporto. No tempo em que passou ali, aproveitou cada instante que pode sem nem pensar no que havia deixado na fria capital inglesa. Na primeira noite da sua ultima semana ali foi que as coisas começaram a mudar.
Luís e Matteo, um amigo dos tempos de adolescencia, estavam em uma cafeteria no final da tarde de terça feira quando uma mulher bem branca, com sardas sedutoras perfeitamente combinando com os cabelos vermelhos, labios finos e olhos tão azuis quanto o céu em um dia de primavera aparecera com um sorriso encantador e parou na frente da mesa dos dois.
- Luigi Carmioni...
- Giuliana... que surpresa belíssima...
- Cansou do tempo e das mulheres frias da Inglaterra, é?
- Ah ragazza, não perde uma chance se quer.
- Diferente de você non é vero?
- Veríssimo.
Ela estava tão radiante quanto da ultima vez que eles haviam se encontrado. Giuliana se juntou aos rapazes e as historias dos tempos em que Luís viveu ali se misturavam às novidades que Matteo e ela contavam. Quando os sinos avisaram que era seis da tarde a italiana e o ex cidadão de Nápoles ficaram sozinhos e as antigas conversas voltaram em um estalar de dedos.
- Eu senti a sua falta, Luigi.
- Nápoles sempre foi uma boa cidade para se morar.
- Você ouviu o que eu disse? - disse ela com um misto de brincadeira e irritação no sorriso.
- Ouvi, e não vou dizer que não gostei de ouvir. Mesmo não podendo gostar.
- Você continua o mesmo, achando que a culpa de todas as catástrofes do mundo são por tua causa...
- Giuliana, por favor, eu só tenho mais alguns dias aqui, nossa conversa está muito boa, não vamos entrar neste assunto novamente.
- Vá bene, então me leva até em casa que já escureceu e não estou de férias como você.
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