Acordou cedo e com os cabelos despenteados, como se ele ligasse. Havia algumas semanas que ele havia se mudado para aquela casa e o cheiro desconhecido dos cômodos, somado aos sorrisos acolhedores da vizinhança o faziam esquecer tudo aquilo que estava passando. Desde o dia em que ele fora à minha casa o sorriso tinha voltado a seu rosto, mas os pesadelos ainda o perseguiam.
Sonolento, foi ao banheiro e despiu-se antes de deixar a água gelada arrepiar os pêlos de seu corpo todo. Quinze minutos depois se acomodava à mesa e preparava o café da manhã apressadamente, afinal o mundo não pararia para vê-lo se recuperar. Escovou os dentes e entrou no carro sem parar para pensar. Girou a chave, o volante, pôs marcha e cruzou a cidade.
Não tive noticias de Samuel por cerca de três dias, até que ele me surpreendeu em uma noite chuvosa. O recebi com um abraço e fomos a sala de estar colocar a conversa em dia.
- Ela tem me ligado todos os dias, pai. - Disse ele me encarando com os olhos crispados. - Há momentos em que eu não quero atender, mas meu masoquismo besta me faz ouvi-la e isso ainda me fere. - Me feria também, eu não demonstrava e ele tampouco percebia, mas vê-lo daquele jeito era tortura para mim.
- E quando ela liga o que ela deseja? - Ele sorriu balançando a cabeça.
- Pergunta como estou, tenta contar alguma novidade, então eu invento alguma coisa e desligo. Acho que estou conseguindo esquecê-la e por incrível que pareça, ela tem facilitado as coisas. - Confesso que não entendi no primeiro momento, afinal se ela o procurava e ele a atendia, como isso o fazia bem? - Não me sinto mais à vontade ao falar com ela.
- E eu devo pensar que isso é algo bom, certo?
- Exato, embora sonhar com ela todas as noites seja algo que ainda me preocupa.
- E os sonhos são ruins?
- Os piores.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Fotografia
Ele entrou na casa a passos lentos, o suor ainda lhe descia à face e sua respiração era descompassada. Olhou-me tentando recuperar o fôlego, puxou uma cadeira e após sentar-se apoiou o cotovelo na perna, passando as mãos sujas pelos cabelos oleosos. Assim ficou durante uns trinta segundos, soltou um suspiro e deu um murro na mesa. Crispei os olhos esperando a próxima atitude do rapaz. Ele me olhou como se pedisse socorro, eu apenas acenei com a cabeça para que ele falasse. Nada saiu de sua boca, ele permaneceu me encarando com aquele olhar vazio e triste. Tirou uma foto de dentro do bolso da camisa e soltou um sorriso frouxo, piscou os olhos firmemente e quando os abriu, duas gotas caíram no chão empoeirado. Saí de onde estava e arrastei uma cadeira até ele, sentei-me e olhei a imagem. O fruto de suas lagrimas era uma jovem de traços finos, sorriso cativante e cabelos negros como os olhos. Sorriso torto. A reconheci imediatamente. Minhas mãos o aconchegaram e suas lagrimas, outrora reprimidas, vieram à tona e ficou notório que o se passava. O rapaz soluçava a medida que eu tentava acalmá-lo. Silencio. Levantou a cabeça e tentou me sorrir. Falhou. Pôs-se de pé e caminhou até a janela, secou os olhos na manga da camisa. Coçou a nuca. O cabelo encaracolado já passava do ombro e ele não ligava. Outro suspiro.
- Sabes, não ligo se demorar muito tempo. Anos podem passar, eu ainda estarei lá. - Ele falou mais para si do que para mim e eu pude perceber. Ainda restava a magoa a raiva e uma boa pitada de insanidade, mas eu sabia que ele não faria nada de errado. Eu me revoltava por saber o quão parecido comigo, ele era. Seus traços não deixavam duvidas, mas me deixavam sem ar às vezes.
- Sempre terá meu apoio, Samuel. Mesmo que falhes, terás meu apoio e minha confiança.
- Obrigado, pai. Ele sorriu e saiu pela porta sem dizer mais nada, mas eu sabia, eu tinha certeza de que se ele precisasse, ele viria me procurar.
- Sabes, não ligo se demorar muito tempo. Anos podem passar, eu ainda estarei lá. - Ele falou mais para si do que para mim e eu pude perceber. Ainda restava a magoa a raiva e uma boa pitada de insanidade, mas eu sabia que ele não faria nada de errado. Eu me revoltava por saber o quão parecido comigo, ele era. Seus traços não deixavam duvidas, mas me deixavam sem ar às vezes.
- Sempre terá meu apoio, Samuel. Mesmo que falhes, terás meu apoio e minha confiança.
- Obrigado, pai. Ele sorriu e saiu pela porta sem dizer mais nada, mas eu sabia, eu tinha certeza de que se ele precisasse, ele viria me procurar.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Pai
Pai!
Pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez...
Pai!
Pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre
Esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz...
Pai!
Pode crer, eu tô bem
Eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura prá você renascer...
Pai!
Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor
Prá você...
Pai!
Senta aqui que o jantar tá na mesa
Fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida
Onde a vida só paga prá ver...
Pai!
Me perdoa essa insegurança
Que eu não sou mais
Aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu...
Pai!
Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Prá pedir prá você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar
Pai!
Você foi meu herói meu bandido
Hoje é mais
Muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz.
Eu te amo, pai e ainda choro ouvindo essa musica.
Pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez...
Pai!
Pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre
Esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz...
Pai!
Pode crer, eu tô bem
Eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura prá você renascer...
Pai!
Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor
Prá você...
Pai!
Senta aqui que o jantar tá na mesa
Fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida
Onde a vida só paga prá ver...
Pai!
Me perdoa essa insegurança
Que eu não sou mais
Aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu...
Pai!
Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Prá pedir prá você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar
Pai!
Você foi meu herói meu bandido
Hoje é mais
Muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz.
Eu te amo, pai e ainda choro ouvindo essa musica.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Perdão por eu ser Rafael Pessoa Archanjo e não o Rafa de vocês.
Eu to cansado de toda essa pressão, de toda essa cobrança, de toda essa reclamação. Eu tenho tentado ser bom com todos desde que nasci, respeitar os mais velhos, ser afável com os mais novos, ser passivo, ser bom aluno, bom filho, ser bom... Em tudo. Eu tenho tentado ser o filho atencioso, o filho de sucesso, o filho que dá carinho, o filho que aceita todos os problemas e se mantém firme, pra poder ajudar quando necessário. De uns tempos pra cá, eu tenho começado a tentar ser mais coisas do que eu acho que podia agüentar. Alem de ser o filho perfeito, eu tenho tentado ser o namorado perfeito. Nunca traí, nunca ofendi, nunca falei mal, nunca fiz algo que “comprometesse a relação”. Mas sabe, eu, como o resto da humanidade, como vocês, não sou perfeito. Eu tenho meus defeitos, minhas fraquezas, minhas mediocridades, meus preconceitos. Tenho também minhas ideologias, minhas crenças, meus desejos que as vezes são insaciáveis, mas eu sou assim. E de uns tempos pra cá, vocês três sem perceber tem me tornado uma granada, uma bomba relógio, que a qualquer momento ou a qualquer erro, pode detonar. Mas o problema dessa bomba, é que ela não explode, mas implode. E quem mais sofre com isso tudo sou eu. Sou eu quem sou detonado, sou eu quem é dilacerado, sou eu quem estilhaça e parece que vocês não percebem, ou talvez não queiram perceber. Vocês não aceitam minhas amizades mais puras, vocês não me deixam ser quem eu quero ser e isso tem me matado. Essa granada já esta sem o anel e pronta para explodir, e no final, sou eu quem vira cinzas e acreditem ou não, eu não sou nenhuma fênix.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
O livro que nunca saiu.
- Que tá acontecendo?
- Nada
- Por que voce faz isso?
- Por que sou muito besta
- Me ama?
- Muito, eu te amo muito
- Entao por que insiste em tudo isso?
- Para, por favor.
- Tem medo?
- Talvez
- Hmm, o medo é bom. Nos faz fortes
- Frase feita vindo de voce? Quem diria
- Até os maiores poetas caem na rotina e usam alguns cliches
- Hmm
- Você é um cliche.
- Obrigado?
- Não. Isso machuca, devia parar.
- Me deixa
- Deixo até demais, talvez seja meu erro.
- Seu erro é fazer eu me sentir assim.
- Voce ja olhou o teu erro?
- Talvez eu tenha receio em descobri-lo e me martirizar por fazer desta maneira.
- Enfrente teus desafios, se fraquejar, meu peito vai estar esperando para voce encostar a cabeça.
- Você é de outro planeta?
- Sim, sou do seu mundo.
R. P.
- Nada
- Por que voce faz isso?
- Por que sou muito besta
- Me ama?
- Muito, eu te amo muito
- Entao por que insiste em tudo isso?
- Para, por favor.
- Tem medo?
- Talvez
- Hmm, o medo é bom. Nos faz fortes
- Frase feita vindo de voce? Quem diria
- Até os maiores poetas caem na rotina e usam alguns cliches
- Hmm
- Você é um cliche.
- Obrigado?
- Não. Isso machuca, devia parar.
- Me deixa
- Deixo até demais, talvez seja meu erro.
- Seu erro é fazer eu me sentir assim.
- Voce ja olhou o teu erro?
- Talvez eu tenha receio em descobri-lo e me martirizar por fazer desta maneira.
- Enfrente teus desafios, se fraquejar, meu peito vai estar esperando para voce encostar a cabeça.
- Você é de outro planeta?
- Sim, sou do seu mundo.
R. P.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Quem dera
Te amo por todas as tardes ensolaradas que não tivemos. Por todos os beijos não roubados e todos os abraços não dados. Te amo pela ausência não sentida, pela saudade que não foi reprimida, pelos sorrisos que não foram vistos. Te amo pelos toques não impressionáveis, pelo perfume não inalado, pelas palavras não ditas.Te amo pelas lágrimas que não foram derramadas, pelos gritos que não foram ouvidos, pela raiva que não transbordou em seus olhos. Te amo pelas brincadeiras não realizadas, pela procura que seus olhos não fizeram nos meus, pela preocupação não demonstrada. Te amo por nunca ter dito realmente o quanto eu te amava ...
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
In memorian
Quando as portas to elevador se abriram e minha tia Sandra e meu tio Claudio saíram de lá de dentro, eu tinha certeza que a má noticia estava por vir. Fechei meus olhos para não continuar vendo as lagrimas que escorriam por seus olhos. Meu pai cruzou o corredor com os a face já molhada e a tia Luiza ficou estática na cadeira do hospital. Assim como eu. Eu não conseguia mover nenhum músculo, as lagrimas tampouco saíram. Porque eu tinha de permanecer forte? Não sei, mas o fiz. Com muito custo eu senti os dedos de minha mãe em meu ombro. Levantei-me e tentei ligar para as três pessoas que eu mais amava. Amanda foi a primeira eu precisa ouvir sua voz, depois minhas duas irmãs, Náthally e Laís, por azar ou não elas não atenderam. Eu não conseguia pensar em mais ninguém alem do meu único amor. Tentei mais uma vez ligar em seus celular mas caiu na caixa postal. Ergui a cabeça e fui ser forte, diante de minha família, todos estavam aos prantos e justo eu, o mais novo e "inexperiente" mantive-me forte para ser útil a todos. Não estou querendo me gabar nem nada disso.
Eu estava destruído, as lagrimas estavam nos meus olhos mas eu não as deixava cair. Minha avó havia falecido. A tarde estava linda, o sol que invadia as janelas do hospital eram de arder a pele e os olhos. Não que precisássemos disso. Fazia uma semana que ela passava por tratamento intensivo. A recuperação do derrame foi rápida, cerca de cinco dias ela já sorria e nos fazia sorrir. A pneumonia foi o agravante, foi um dos motivos que a levaram ao óbito. Após uma parada cardíaca, os médicos não conseguiram recuperá-la e aos trinta e um dias do mês de dezembro do ano de dois mil e nove, a minha avó, a dona zá, a mãe de cinco filhos, a avó de seis netos e a bisavó de dois bisnetos nos deixou.
A senhora vai fazer uma falta incrível, a perda será irreparável, a saudade eterna. Mas nós somos seus aprendizes, somos seus filhos, netos e bisnetos e a senhora permanecerá para sempre nos nossos corações.
Para sempre te amaremos, Dona Zá.
Rafael Pessoa ARCHANJO.
Eu estava destruído, as lagrimas estavam nos meus olhos mas eu não as deixava cair. Minha avó havia falecido. A tarde estava linda, o sol que invadia as janelas do hospital eram de arder a pele e os olhos. Não que precisássemos disso. Fazia uma semana que ela passava por tratamento intensivo. A recuperação do derrame foi rápida, cerca de cinco dias ela já sorria e nos fazia sorrir. A pneumonia foi o agravante, foi um dos motivos que a levaram ao óbito. Após uma parada cardíaca, os médicos não conseguiram recuperá-la e aos trinta e um dias do mês de dezembro do ano de dois mil e nove, a minha avó, a dona zá, a mãe de cinco filhos, a avó de seis netos e a bisavó de dois bisnetos nos deixou.
A senhora vai fazer uma falta incrível, a perda será irreparável, a saudade eterna. Mas nós somos seus aprendizes, somos seus filhos, netos e bisnetos e a senhora permanecerá para sempre nos nossos corações.
Para sempre te amaremos, Dona Zá.
Rafael Pessoa ARCHANJO.
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