Cada dia ficava mais difícil não ver o rosto, não ouvir a voz, sentir o gosto, não acariciar. A vontade de procurá-la o consumia, o tomava de tal maneira que ele queria jogar novamente seu orgulho de lado e levar mais tapas. Permaneceu com seu orgulho, permanecer são, mas desta vez, ele quem discou seu numero, ele quem desejou ouvir sua voz. Ainda era de manhã quando ele ligou pela primeira vez, e ninguém atendeu. Foi para o trabalho sem tornar a pensar naquilo. No meio do expediente ele voltou a ligar, e assim como no almoço e durante a tarde, ninguém atendeu. Em vez disso, uma mensagem chegou, e a discussão começou ali. Primeiro carinho, depois as primeiras alfinetadas, e o começo do fim cravava seu ponto de partida. Ele desistiu de tentar explicar o inexplicável, de mudar o imutável, de sorrir com a miséria. Não respondeu mais nenhuma mensagem. Desceu as escadas do escritório, tirou uma carteira de Carlton do bolso da camisa, acendeu e tragou. Quando terminou de fumar voltou ao escritório, pegou suas coisas e rumou para casa. Abriu uma garrafa de vinho sentou-se na varanda e se embriagou.
Quando se deu por vivo, já havia anoitecido, a garrafa de Santa Felicidade estava vazia, jogada no chão e seus olhos, vermelhos. Levantou-se aos tropeços, recolheu os cacos de vidro e alguns do seu coração, tomou um banho e adormeceu novamente em sua cama. Ele havia tomado uma decisão.
No dia seguinte ele ligou para ela, e não demorou muito e ouviu sua voz. Não teve reação, nenhum sentimento soou, nenhuma batida foi descompassada e a respiração manteu-se calma.
- Não me procure mais. Não me deixe saber da sua vida. Não queira saber da minha. Não me procura, e nem me ache.
Desligou o telefone e foi para o trabalho ainda pensando se era a coisa certa a se fazer. Era. É.
As semanas passavam, ele se sentia mais ele, sorria mais, trabalhava mais empolgado, saia mais, com pessoas diferentes, com pessoas iguais, com pessoas conhecidas, desconhecidas. Seu grupo social mudou e ele não sentiu mais falta.
Samuel havia morrido havia um mês e duas semanas. Rafael havia ressuscitado há duas semanas.
foda, sem mais :]
ResponderExcluirIsso é uma ficção ou uma autobiografia?
ResponderExcluirTá caindo mais pra segunda opção em xP
mais de qq jeito,gostei do texto ;D
Como sempre, texto incrível, e agora eu lembro quem é Samuel asuhahusauhsahusa
ResponderExcluirBeijo ;*
Viva o Rafa. Gostei *--*
ResponderExcluirbeijuh
há, falo nada.
ResponderExcluirqual o por que do nome Samuel?
agora só falta enterrar~ e viver